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José Antônio da Silva Duque - historiasefatos@avozdacidade.com

Giovanni Baptista Líbero Badaró
“Morre um liberal, mas não morre a liberdade”

Nascido em Laigneglia, na Itália em 1798 (data desconhecida). Estudou medicina nas Universidades de Turim e Pávia antes de se radicar em São Paulo. Ainda na Europa publicou algumas obras técnicas, versando sobre fisiologia, zoologia e botânica. Junto a outros médicos italianos, veio para o Brasil em 1826 aos 28 anos de idade. Estabeleceu-se primeiro no Rio de Janeiro e em 1828 radicou-se na cidade de São Paulo. O sobrenome Líbero, que significa livre, é acrescentado no Brasil inspirado no seu ideal de liberdade.

Líbero Badaró era também jornalista, exilado em São Paulo adepto da Revolução Francesa e defensor de estudantes. Contribuiu de forma indireta para a abdicação de D. Pedro I.

Líbero Badaró destacava-se pela defesa da propaganda dos princípios liberais na imprensa paulista durante o reinado de D. Pedro I, residindo em São Paulo, na condição de exilado, fundou em 1829 o jornal “Observador Constitucional” impresso na tipografia do “O Farol Paulistano” o jornal liberal tinha feição moderada, como a que Evaristo Veiga imprimia à “Aurora Fluminense”, manifestando nele o seu pensamento de apoio aos movimentos que se transformariam na Revolução Francesa de 1830. Autentico liberal, protestava contra a nossa justiça pó processar estudantes sob a acusação de desrespeito as autoridades.

 Líbero Badaró via na manifestação daqueles moços apenas explosão de sentimentos contrários aos regimes de opressão. Em seus libelos interpelava agressivamente o juiz, exarcebando,  assim, os ânimos em São  Paulo.

Líbero Badaró foi assassinado na noite de 20 de novembro de 1830 por três elementos, em plena  rua Nova São José, mais tarde rua Líbero Badaró em sua homenagem durante uma manifestação promovida pelos estudantes do curso jurídico de São Paulo para comemorar a revolução liberal que depusera o rei Carlos X da França.  O principal responsável pelo ataque fora Henrique Stock, alemão que se escondeu na casa do ouvidor (*0. Stock foi preso a primeira pessoa a socorrê-lo foi o estudante de direito Emiliano Fagundes Varela pai do futuro poeta Fagundes Varela. Pouco antes de morrer, Líbero teria dito “Morre um liberal, mas não morre a liberdade”, ou ainda “Morro defendendo a liberdade”. Dias antes do atentado, em conversa com amigos disse “Eu sei que vou morrer! Morre  um liberal, mas não morre a liberdade”. Líbero Badaró  foi considerado “ O mártir da liberdade de imprensa”, “O sacrifício de um paladino da liberdade”.

Sua morte acelera a crise política do primeiro Reinado. Mas de cinco mil pessoas  compareceram ao enterro e multiplicaram-se os pedidos e atos de renuncia do imperador. Diante dos antecedentes, a opinião publica acusava o magistrado  de mandante do crime, pela ameaça que fez a Líbero Badaró. Julgado no Rio de Janeiro, o juiz foi inocentado por falta de provas. D. Pedro I em sua viagem através de Minas Gerais, constatou a situação insustentável. Sentiu o clamor e a hostilização do povo e por onde passava ouvia os sons fúnebres dos sinos repicarem em homenagem póstuma a Líbero Badaró. Profundamente abalado o imperador regressou ao Rio de Janeiro com idéia fixa de abandonar o poder.

A contribuição de Líbero Badaró para defesa da liberdade de expressão vai além da tragédia pessoal e um dos primeiros escritos públicos em defesa da liberdade, refutar sempre ateste de que os abusos publicados pela imprensa justificariam o cerceamento da liberdade.

(*) Ouvidor: Aquele que ouve. Juiz especial adjunto a certas repartições públicas. No período colonial, o juiz posto pelo donatário. Antigo magistrado com as funções do atual juiz direito.


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Jose Antônio da Silva Duque - Sindicalista e Cronista

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